terça-feira, 12 de setembro de 2017

Compras literárias para a Universidade!

O terceiro ano da minha licenciatura começou ontem, mas já tenho a agenda preenchida. Até agora, tenho 3 leituras obrigatórias para a cadeira de Literatura Portuguesa- Legado Moderno e Contemporâneo e, certamente, terei outros livros para ler para outras cadeiras. 

Para essa cadeira que referi, um dos livros (a primeira leitura obrigatória) será requisitado na biblioteca. Quanto aos outros dois, comprei-os depois da aula, já que tinha a tarde livre.

A segunda leitura para esta cadeira é História do Cerco de Lisboa, de José Saramago. Nunca li nada sobre este livro, portanto, acho interesse a escolha, por ser um livro que não é tão comentado como os outros títulos de Saramago. Aqui está uma sinopse retirada do site da Bertrand: «Há muito que Raimundo Silva não entrava no castelo. Decidiu-se a ir lá. O autor conta a história de um narrador que conta uma história, entre o real e o imaginário, o passado e o presente, o sim e o não. Num velho prédio do bairro do Castelo, a luta entre o campeão angélico e o campeão demoníaco. Raimundo Silva quer ver a cidade. Os telhados. O Arco Triunfal da Rua Augusta, as ruínas do Carmo. Sobe à muralha do lado de São Vicente. Olha o Campo de Santa Clara. Ali assentou arraiais D. Afonso Henriques e os seus soldados. Raimundo Silva "sabe por que se recusaram os cruzados a auxiliar os portugueses a cercar e a tomar a cidade, e vai voltar para casa para escrever a História do Cerco de Lisboa. Uma obra em que um revisor lisboeta introduz a palavra "não" num texto do século XII sobre a conquista de Lisboa aos mouros pelos cruzados.» (Diário de Notícias, 9 de outubro de 1998).


A terceira leitura é Os livros que devoraram o meu pai- A estranha e mágica história de Vivaldo Bonfim, de Afonso Cruz. Sempre quis ler algo deste autor, até porque ele é muito admirado e já li sinopses de outros livros e fiquei curiosa. Posto isto, fiquei contente quando reparei que irei, finalmente, conhecer a escrita de Afonso Cruz. Deixo aqui uma sinopse retirada do site da Bertrand: "Vivaldo Bonfim é um escriturário entediado que leva romances e novelas para a repartição de finanças onde está empregado. Um dia, enquanto finge trabalhar, perde-se na leitura e desaparece deste mundo. Esta é a sua verdadeira história — contada na primeira pessoa pelo filho, Elias Bonfim, que irá à procura do seu pai, percorrendo clássicos da literatura cheios de assassinos, paixões devastadoras, feras e outros perigos feitos de letras."





Este ano letivo já parece ser muito prometedor! Vamos lá ver se terei mais obras interessantes para ler!




segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Algumas compras literárias em Lisboa!

Foi depois da visita à Casa Fernando Pessoa que encontrei, numa estação de metro, uma loja de livros em segunda mão, com novos à mistura. Ao entrar lá, deparei-me logo com muitos livros em bom estado e com bons preços. Na realidade, foi lá que encontrei uma edição simples de Mensagem, de Fernando Pessoa, a cinco euros. Era um dos livros que poderia ter comprado na Casa, mas decidi comprar lá um outro menos conhecido. Ainda bem que fiz esta escolha, porque um livro como este, a cinco euros, foi um bom achado.

Na mesma área de livros, encontrei um livro de poemas de Florbela Espanca. Para mim, Espanca é uma das poetas mais subvalorizadas do nosso país, o que é uma pena. Na minha humilde opinião, ela foi uma grande mulher, quer na poesia, quer na sua própria vida, até ao fim. Também custou cinco euros, ou seja, mais um bom achado para levar para os Açores.




Ainda não acredito que tenho finalmente estes livros na minha estante!


E vocês? Gostam de Florbela Espanca? Qual é o vosso poema favorito da Mensagem?





quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Opinião: Cinder (#1 The Lunar Chronicles), de Marissa Meyer





The Lunar Chronicles (na edição portuguesa, Crónicas Lunares) é uma coleção de quatro livros de Ficção Científica que reconta quatro contos tradicionais. O primeiro livro, Cinder, é uma transformação da história da Cinderela. Neste livro, seguimos a vida de Cinder, uma mecânica extremamente talentosa, mas que tem uma vida complicada por causa da madrasta e de uma das filhas dela. Além disso, é uma cyborg, ou seja, é humana, mas tem partes mecânicas devido a um acidente na infância. Tudo muda quando o herdeiro da sua nação, o príncipe Kai, lhe pede ajuda para consertar um android e quando a outra meia-irmã é uma das vítimas da doença que afeta o planeta inteiro. Cinder envolve-se em problemas políticos e acaba por ser uma cobaia em experiências focadas na cura da doença mortífera. No meio de tantos conflitos, como irá ela lidar com os seus sentimentos e com o futuro do planeta Terra?



É normal vermos recontos de histórias tradicionais na Fantasia, mas nunca tinha lido dentro do género da Ficção Científica. Portanto, gostei muito desta nova e fantástica experiência. A essência da história original está presente, mas com reviravoltas muito boas e intrigantes.


A ação passa-se num futuro em que já houve até uma Quarta Guerra Mundial, ou seja, o planeta Terra tem tecnologias mais avançadas e há vida na Lua, por exemplo, com regime monárquico e pessoas que podem controlar as mentes daqueles que não vivem lá. Além disso, os continentes estão divididos de formas diferentes e as monarquias são extremamente relevantes. É assim que a história da Cinderela é renovada, acrescentando-se cyborgs, androids, naves espaciais e personagens mais cativantes e não tão superficiais como no conto. É um enredo que consegue ser original, sem esquecer a sua verdadeira base. A coleção também baseia-se no anime Sailor Moon, já que, ao longo da coleção iremos conhecer um grupo de jovens que não são totalmente humanos e que querem salvar o planeta Terra e têm laços com a Lua, havendo, ainda, um habitante da Lua que é mesmo importante na história. Como alguém que cresceu a ver este anime, adorei a familiaridade que senti neste livro. Este livro é, portanto, uma lufada de ar fresco.



Luna | The Lunar Chronicles by Marissa Meyer
Luna, o reino de Levana, a vilã da coleção.


A escrita foi, praticamente, a única coisa que me atrapalhou ao longo da leitura devido aos termos técnicos. Li em inglês e, claro, houve alguns termos tecnológicos que eu não entendi. Contudo, isso não me deixou apreensiva quanto ao talento da autora. Ignorando esses termos, a sua escrita prende o leitor à história e, por isso, não demorei muito tempo a ler este livro. De facto, é o tipo de escrita ideal para este enredo envolvente e surpreendente.


As personagens são variadas e gosto tanto das personagens do lado do bem, como as do lado do mal. As do lado do mal são muito interessantes, misteriosas e astutas. Até a madrasta é interessante, apesar de não gostar nada das atitudes dela. Ainda assim, como uma espécie de vilã, aprecio esta figura. A personagem principal, Cinder, é uma das minhas favoritas, devido à sua força de vontade e por ser uma figura que representa as mulheres que lutam contra o machismo. O seu sarcasmo é um dos seus pontos fortes, bem como a sua sensibilidade e a maneira como se vê, na medida em que, apesar de reconhecer os seus defeitos, de pensar neles e de duvidar-se de si própria, ela não desiste e luta pela justiça. Em relação a Kai, ainda bem que ele não é vazio como o príncipe da história original. É um jovem que, tal como Cinder, reconhece os seus defeitos, mas é forte e não desiste. É também cativante devido ao seu sarcasmo. Uma outra coisa interessante neste livro é a diversidade. Como se passa em Eastern Commonwealth, um reimo que se situa no continente asiático, temos personagens chinesas, até porque esse reino situa-se na China do mundo real. É muito bom ver diversidade na literatura, principalmente quando há personagens com personalidades tão diferentes e fortes. Por fim, temos a rainha Levana, a monarca de Luna, que quer, por força, casar com o príncipe Kai e que usa o poder mental para controlar qualquer um. É, de certa forma, a típica vilã em busca de poder e que adora controlar os mais fracos, mas há uma vulnerabilidade que, certamente, será exposta ao longo da coleção. Há, portanto, personagens para todos os gostos.



-The Lunar Chronicles- : Photo
Tal como no conto, aqui, Cinder também perde o sapato. Bem, mais propriamente o seu pé mecânico.


Concluindo, Cinder é uma primeira garfada de uma coleção que promete ser saborosa. Com um enredo original que mostra a destreza de Marissa Meyer em pegar em contos tradicionais e transformá-las e com personagens que parecem ser reais e que são inspiradoras, este primeiro livro promete conquistar leitores que adoram as típicas histórias de encantar, mas que procuram por inovação.


Classificação: 4.5/ 5 estrelas.





terça-feira, 5 de setembro de 2017

Opinião: A Ilha das Quatro Estações, de Marta Coelho






A Ilha das Quatro Estações é um romance de Jovens-Adultos contemporâneo que se centra em quatro personagens, Catarina, Santiago, Misha e Rute, embora tenhamos apenas dois pontos de vista, o de Catarina e o de Santiago. Os quatro jovens encontram-se na Ilha das Quatro Estações, um lugar pacífico para jovens com problemas pessoais. A Ilha encontra-se, de facto, dividida em quatro partes, cada uma correspondendo a uma estação do ano. Neste local, os jovens irão viver momentos intensos e aprenderão a lidar com os seus problemas. No entanto, nem tudo é tão bom quanto isso e há mistérios por descobrir e segredos por desvendar.


Tinha grandes expetativas em relação a este livro quando o comprei. Tinha lido algumas críticas muito positivas e não encontrei nenhuma crítica razoável ou negativa. Muitos disseram que era um livro com uma escrita simples e que consegue captar a nossa atenção rapidamente. Além disso, disseram que os problemas de cada personagem foram bem abordados e são problemas muito atuais e que farão o leitor sentir compaixão e refletir. Concordo com estas afirmações e acrescento que é bom que haja autores portugueses a escrever livros YA (Young Adults, ou seja, Jovens-Adultos), mas, ainda assim, não gostei tanto quanto queria.


O enredo é enriquecido pela forma como as personagens lidam com os seus problemas pessoais. Temos desde a violência no namoro até depressão, mortes de pessoas queridas até vidas estragadas por coisas que poderiam não ter acontecido. Efetivamente, o livro é muito bom nessa parte, na forma como esses problemas são abordados e vividos pelas personagens. Contudo, a partir da sinopse, estava à espera de mais mistério e, talvez, de um certo toque de magia ou algo assim. Não foi explicado como é que a ilha funciona com as quatro estações do ano e, na verdade, esse assunto nunca foi referido pelas próprias personagens. Um outro ponto fraco do enredo é o excesso de clichés e, por sua vez, a falta de surpresa em relação a certos episódios da história. Foi importante o foco nos assuntos pessoais, mas o enredo não deveria ter ficado por aí. Foi bom ver diferentes tipos de relações entre pessoas, mas o foco nelas não deveria ter sido tão grande como foi. Uma outra coisa que eu não gostei foi do final abrupto e com pontas muito soltas. Os tais mistérios sugeridos pela sinopse foram levemente mencionados apenas nos últimos capítulos e nem foram tão especiais quanto isso. É bom que haja a sensação de que poderá haver um segundo livro, mas o fim foi mesmo muito rebuscado e os mistérios foram apresentados de uma forma rápida, mas nada alucinante. Deste modo, fiquei desiludida com o enredo em si.


Quanto à escrita, é, de facto, simples, mas, tal como o enredo, acaba por ter clichés. Muitos diálogos forçados e não tão genuínos quanto a autora tenta transparecer. Compreendo que o objetivo tenha sido apresentar conversas emocionantes relativamente aos problemas mencionados ao longo do livro, mas falta espontaneidade. Ainda assim, é a escrita ideal para jovens que não leem muito, pois, apesar destas falhas, o livro é, ainda assim, cativante e, apesar dos temas abordados, leve.



As personagens são, então, o ponto forte da história. Muito inspiradoras devido à sua resiliência e à forma como lidam com os seus problemas e com os dos outros. São personagens cheias de garra e de amor e podem ser bons modelos para o leitor.


Concluindo, A Ilha das Quatro Estações é um livro inspirador e uma aposta decente para jovens leitores. Todavia, peca pela forma como o enredo foi desenvolvido e pelos clichés abundantes. Ainda assim, a sua leitura consegue ser uma experiência positiva.



Classificação: 3/5 estrelas.





sábado, 26 de agosto de 2017

Visita literária: Casa Fernando Pessoa

Está na altura de falar um pouco sobre a minha viagem por Lisboa! É uma cidade culturalmente fantástica e que tem muita vida. Senti-me muito bem lá e mal posso esperar por ver novamente esta magnífica capital.

Enquanto estive lá, vi museus, monumentos e, claro, sítios relacionados com a literatura. Um deles foi a Casa Fernando Pessoa.


Prefiro publicar uma imagem na página de Facebook.

A Casa Fernando Pessoa situa-se na Rua Coelho da Rocha e foi onde o poeta modernista português viveu os seus últimos quinze anos de vida. Lá, há várias divisões apropriadas para os visitantes. Há a sala multimédia, a reconstituição do quarto de Fernando Pessoa,  uma exposição intitulada "Nós, os de Orpheu", o auditório, a biblioteca e, no exterior, a cafetaria/ restaurante. Quando fui lá, vi a sala multimédia, conhecida por "Sonhatório", a exposição, a recriação do quarto e a biblioteca. No fim, comprei algumas lembranças na loja que se encontra logo à entrada.


A primeira divisão que eu visitei foi o "Sonhatório", que contém muitos ecrãs recheados de informações acerca da vida de Pessoa e dos seus familiares. Também podemos ver os objetos pessoais, como os óculos, documentos, fotografias, entre outros. Havia, ainda, vídeos de pessoas a recitarem poemas. Adorei ver os seus objetos pessoais, bem como a fotobiografia do autor. Foi muito bom ver, por exemplo, as suas anotações e o tipo de livros que Pessoa possuía. Além disso, tive acesso a muita informação biográfica que desconhecia. É, então, uma divisão obrigatória para os amantes do poeta modernista.


Objetos pessoais de Fernando Pessoa.

Depois, vi a reconstituição de um dos quartos do apartamento da família do poeta. Aí, podemos ver móveis originais de Pessoa, como a famosa cómoda, onde ele criou os heterónimos, uma máquina de escrever, um retrato a óleo que foi elaborado quando tinha 24 anos e documentos relacionados com a sua educação.


Parte da reconstituição do quarto de Fernando Pessoa. E aí está a famosa cómoda.



Ao sair do quarto, fui para o varandim, onde havia mais documentos relacionados com a vida de Pessoa. Daí, podemos ver o retrato pintado por Almada Negreiros, em 1954, em homenagem ao amigo. É olhando para baixo que podemos ver a exposição "Nós, os de Orpheu".


Retrato da autoria do pintor modernista português Almada Negreiros e parte da exposição "Nós, os de Orpheu".

Antes de ver a exposição, dei uma vista de olhos pela biblioteca pública que a Casa tem. É a única do país especializada em poesia e está cheia de livros de poesia mundial, havendo, ainda, traduções da obra pessoana.


Estava a folhear um livro que continha cartas partilhadas entre Fernando Pessoa e Ophélia Queiroz, namorada do poeta.



Já perto do fim, vi a exposição "Nós, os de Orpheu", que contém informação sobre os poetas que se dedicaram à criação da revista Orpheu. Há apresentações biobibliográficas e expõe-se como foi que estes artistas ajudaram na elaboração da revista que viria a causar um grande reboliço no meio literário português dos inícios do século XX. É, de facto, necessário lembrar que o Modernismo literário português não foi somente marcado por Fernando Pessoa. Há outro grandes nomes, como Mário de Sá-Carneiro, José de Almada-Negreiros (ele não foi apenas pintor), entre outros, havendo participação de pintores portugueses (Santa-Rita Pintor e Amadeo de Souza-Cardoso) e de poetas brasileiros (Ronald de Carvalho, por exemplo).


A Revista Orpheu só teve dois números, embora já houvesse planos para organizar um terceiro.

Antes de abandonar esta linda Casa, estive algum tempo na loja a ver o que poderia levar para casa como recordação. Comprei marcadores e O Mendigo, um livro que reúne contos de Fernando Pessoa.



A Casa Fernando Pessoa é uma paragem obrigatório para qualquer aluno de Literatura que visite Lisboa ou que vive lá. É, também, ideal para quem simplesmente goste do autor e queira saber mais acerca da mente brilhante que foi capaz de criar heterónimos igualmente fascinantes.


E vocês? Já visitaram a Casa Fernando Pessoa?






quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Opinião: Endgame- A Chave do Céu, de James Frey e Nils Johnson-Shelton




Neste segundo volume da trilogia Endgame, são narrados os acontecimentos que ocorreram imediatamente depois de um dos Jogadores ter alcançado a Chave da Terra. Agora, com apenas 9 Jogadores vivos, todos começam a lutar por motivos diferentes e com meios diferentes. O que importa é encontrar a Chave do Céu, que, talvez, seja capaz de mudar o rumo do Jogo criado pelos keplers. No seguimento do Jogo, há cada vez mais dúvidas, mas, também, mais esperança. Afinal, talvez seja possível parar o Jogo e, por sua vez, evitar o fim da Humanidade tal como a conhecemos.
 
 
Para quem não leu a minha opinião sobre Endgame- A Chamada, posso dizer-vos que adorei o primeiro livro!  De facto, dei 5 estrelas pela escrita simples, que tornou a leitura viciante, e pelo enredo estrondoso e repleto de ação. Quanto a este segundo livro, não o achei tão empolgante quanto o primeiro.
 
Neste segundo livro, a escrita simples mantém-se, mas eu não fiquei viciada na leitura. Algumas descrições de cenas de ação eram um pouco confusas ou tinham demasiados detalhes desnecessários para a história. No entanto, ainda há frases curtas e diretas. Quando se muda de capítulo, muda-se de perspetivas e, quando isso acontecia, a escrita adaptava-se à personalidade da personagem em questão, revelando a grande maleabilidade dos autores.
 
O enredo é mais complexo, pois o Jogo complica-se e há apenas 9 Jogadores, uns sedentos por sangue, outros em desespero e outros a lutarem pelo bem. Além disso, há entidades governamentais que acabam por se envolverem no Jogo e o mundo inteiro passa a saber da existência do Endgame. Há, ainda, uma grande exploração quanto ao lado humano de cada Jogador e ao estado psicológico deles, tornando a leitura muito interessante sob um ponto de vista moral. Ainda assim, o enredo só conseguiu cativar-me a partir da segunda metade do livro, quando os Jogadores estavam a aproximar-se da Chave do Céu. Até então, só temos o reforço das capacidades quase sobrenaturais das personagens e o aparecimento de outros ramos narrativos que, praticamente, caíram de paraquedas. Parece que serviram para "encher chouriços" ou, então, eram como explicações demasiado rápidas para certos momentos da ação. Por exemplo, de repente aparece um deus maligno que um dos Jogadores tinha mesmo que destruir, embora isso nunca tivesse sido mencionado no primeiro livro. O deus nem sequer estava associado ao Jogo, mas sim à cultura desse Jogador. Ainda assim, foi algo muito rebuscado e que surgiu do nada. Apesar disso, a história continua a ser entusiasmante e original.
 
As personagens continuam a ser o ponto forte desta trilogia e gostei da maior exposição relativamente ao estado psicológico e emocional de cada uma. Temos os psicopatas e temos os que ainda não têm o seu lado humano totalmente destruído. Foi muito bem feita a distinção entre ser-se Jogador e ser-se humano. No primeiro livro, os autores deram mais atenção às personagens como Jogadores, adolescentes com sangue frio capazes de matar qualquer um que os impedisse de alcançar os seus objetivos. Neste livro, os pensamentos das personagens revelam-nos que eles não são soldados sem coração, mas antes jovens que foram ensinados a combater e a lutar até à morte, embora isso os afetasse profundamente (pelo menos, alguns deles). Uma das minhas personagens preferidas é o Jogador chinês, An Liu, e ele é um grande psicopata, mas continua a ser uma personagem fascinante. É muito interessante ver como um jovem psicopata, nestas circunstâncias, funciona.
 
Concluindo, Endgame- A Chave do Céu tem uma linha narrativa mais complexa e personagens mais reais, cheia de revelações surpreendentes e com episódios de ação muito cinematográficos. Pode não ter captado tanto a minha atenção quanto o primeiro livro, mas, como segundo livro de uma trilogia, é muito bom.
 
 
Classificação: 4/5 estrelas.
 
 
 

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Compras literárias

Está prestes a acabar a primeira metade de agosto e ainda não publiquei certos artigos que quero muito partilhar convosco. Mas, antes de os publicar, gostaria de falar das minhas mais recentes compras literárias.
 
A primeira aquisição literária deste mês foi Gabriela, Cravo e Canela, do autor brasileiro Jorge Amado. Comprei este livro no dia em que o escritor faria 105 anos, ou seja, no dia 10. Porquê este livro? Porque é um dos romances mais aclamados de Jorge Amado e lembro-me de a SIC ter passado uma adaptação televisiva brasileira há uns anos atrás e as pessoas gostavam muito da história. Além disso, até agora, só li um ou dois livros de autores brasileiros e gostaria de ler mais.
 
 
 
 
Sinopse retirada do site da Bertrand:
Plano Nacional de Leitura Livro recomendado para o Ensino Secundário como sugestão de leitura.

Gabriela, a mulata com a cor da canela e o cheiro do cravo, ficará na literatura como uma formosa figura de mulher, simples e espontânea, acima do Bem e do Mal. Com o seu inigualável lirismo e inspiração poética, Jorge Amado cria personagens inesquecíveis, e o comovente romance de amor do árabe Nacib e da mulata Gabriela coloca-os, sem dúvida, na galeria dos amantes da História da Literatura. Mas Gabriela, Cravo e Canela é mais do que a história de amor do árabe Nacib e da sertaneja Gabriela. É a crónica de uma pequena cidade baiana, Ilhéus, quando passava por bruscas transformações, por volta do ano de 1925. A riqueza trazida pelo cacau possibilitara o desenvolvimento urbanístico e o progresso económico, transformando profundamente a fisionomia da cidade. Pouco evoluíam, no entanto, os costumes dos habitantes, imperando, naquele cenário de violência, a lei dos mais fortes - os fazendeiros - que tendo a seu trabalho os jagunços, impunham o domínio do ódio e do terror. Sensual e inocente, sábia e pueril, a cozinheira Gabriela conquista não apenas o coração de Nacib e de uma porção de ilheenses, mas também o de leitores de vários países e gerações. Levada para a televisão, a sua história transformou-se numa das telenovelas brasileiras de maior sucesso pelo mundo fora. No cinema, o papel de Nacib é vivido por Marcello Mastroianni, e o de Gabriela por Sônia Braga, como já acontecera na novela.
 
 
 
 
Na sexta-feira passada, depois de ter lido opiniões e de ter falado com umas raparigas que conheci através da comunidade literária no Instagram, decidi comprar A Ilha das Quatro Estações, da escritora portuguesa Marta Coelho. É um romance que se insere na categoria dos jovens-adultos, o que não tem sido muito recorrente no mercado português por parte dos autores nacionais. Envolve mistério e segredos entre um grupo de jovens que foram para uma ilha onde não se pode usar tecnologia. 
 
 
 
Sinopse retirada do site da Bertrand:
 
Onde todos os sonhos são possíveis.

Este é o livro com que todos os jovens se conseguem identificar, uma história atual e relevante sobre os receios, as paixões, as fragilidades e a força de quatro jovens à procura de um novo rumo.

Cat sentia-se sem rumo e não queria ver ninguém.
Tiago só desejava poder voltar a viver como antes.
Misha isolara-se do mundo à sua volta.
Rute precisava de vencer uma batalha muito dolorosa.

Os seus caminhos cruzam-se na ilha e, juntos, preparam-se para enfrentar os seus demónios pessoais. Mas há quem tenha outros planos para eles…

Será que a tua vida pode mudar quando tudo parece correr mal?
 
 
 
 
Ainda não vos mostrei os livros que comprei em Lisboa, mas isso acontecerá em breve!
 
E vocês? Jã compraram algum livro este mês?
 
 
 
 
 

sábado, 12 de agosto de 2017

Opinião: A Study in Scarlet e The Sign of the Four, de Sir Arthur Conan Doyle



Na edição presente na fotografia, há dois romances do autor britânico concentrados num só livro, A Study in Scarlet e The Sign of the Four. Foi durante a minha estadia em Lisboa que eu li o primeiro livro, enquanto dei início à leitura do segundo nos últimos dois dias passados na capital portuguesa. Demorei a ler o primeiro, pois chegava cansada a casa e não lia muito à noite. No entanto, há ainda uma outra razão: não gostei muito da história em si. Quanto ao segundo, finalizei a leitura já na minha própria casa e, tal como o primeiro, não me deixou maravilhada.


A Study in Scarlet inicia com o doutor John Watson à procura de um sítio barato para viver depois de ter sido ferido no Afeganistão. É ao falar com um velho amigo que Watson descobre que há um homem à procura de alguém com quem partilhar a renda de um apartamento. Contudo, não era um homem qualquer, mas sim Sherlock Holmes, um detetive que recorre ao método científico e à lógica dedutiva para resolver os crimes. Após o encontro entre os dois, Holmes é chamado para resolver um caso muito estranho: um americano tinha sido assassinado e o local do crime, uma casa abandonada, tinha sangue, mas o cadáver não apresentava nenhum ferimento. Como terá, então, morrido o americano?

Quando comecei a ler este primeiro romance sobre as aventuras de Sherlock Holmes, estava a gostar do ritmo da narração. Tendo John Watson como narrador, sabemos como o médico conheceu o detetive e conhecemos as personagens graças ao lado curioso e observador de Watson. Até à altura em que Holmes encontra o suspeito, estava a gostar da escrita e da história, mas comecei a ficar enfadada quando chegou a parte em que o suspeito explica porque cometeu os crimes (houve um outro homicídio). Foi nesse momento que passei a não gostar do livro, pois a transição da história da dupla para a história do homicida não foi nada bem executada. Por momentos, pensei que estava a ler um livro totalmente diferente, até porque não estava a reconhecer a escrita do próprio autor. Doyle não deu qualquer informação de que iria contar uma "longa" história tendo o homicida como narrador. Foi uma mudança brusca e não gostei, apesar de, depois, ter percebido que, afinal, não havia nenhum erro na minha edição e que continuava a ler A Study in Scarlet.



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Ilustração de D. H. Friston (1887).


Doyle, de facto, soube criar um crime interessante e um suspeito que é movido facilmente pelos sentimentos, sem esquecer o lado racional. Também tem uma escrita relativamente simples ou, pelo menos, não muito complexa. Todavia, fiquei com a sensação de que deveria ter havido mais conteúdo, mais desenvolvimento relativamente às personagens e ao modo como elas operam. Perdeu-se muito na fraca exploração das habilidades quer de Sherlock Holmes, quer de John Watson. Posto isto, não fiquei muito surpreendida com Sir Arthur Conan Doyle, infelizmente. Será que a seguinte história foi melhor?

Classificação: 3/5 estrelas.




The Sign of the Four, também uma história narrada por John Watson, inicia com Sherlock Holmes aborrecido por não ter um caso entusiasmante para resolver. Entretanto, aparece Mary Morstan, uma jovem mulher que pede ajuda ao detetive para encontrar o pai. Durante seis anos, Morstan recebeu pérolas e, embora soubesse que estavam relacionadas com o desaparecimento do pai, ela não sabia como. Depois desses seis anos, recebe uma carta para se encontrar com alguém que tinha informações acerca do paradeiro do senhor Morstan. Enquanto Holmes fica curioso com o novo caso, Watson dá graças por ter conhecido uma mulher tão bela e astuta como Mary Morstan e, por isso, acompanha atentamente o caso. Há desaparecimentos, homicídios e tesouros em terras indianas e só Sherlock Holmes é capaz de chegar a uma conclusão triunfante.




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Mary Morstan, John Watson e Sherlock Holmes.


Esta história foi um pouco melhor do que a primeira. Um pouco. Gostei do facto de ter mais ação, de haver mais desenvolvimento por parte das personagens e de a escrita se manter relativamente acessível. Há, ainda leves mensagens contra o racismo e a falta de consideração pelas mulheres. Ainda assim, foi uma outra história que me deixou aborrecida.


Classificação: 3.5/5 estrelas.


Concluindo, tinha expetativas quanto ao criador do detetive mais famoso do mundo. É, de facto, incrível como se pode usar a dedução e a ciência, em simultâneo, para se resolver um crime. Contudo, não são histórias muito surpreendentes. 


E já leram alguma obra de Sir Arthur Conan Doyle? Se sim, qual é a vossa opinião?






quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Resumo de julho e planos para agosto

Olá, leitores!

Peço desculpa pela minha ausência, que se deve ao facto de eu ter passado nove dias em Lisboa a ver museus e monumentos. Desde que cheguei, não tenho usado muito o meu computador, pois ele está a trabalhar de uma forma muito lenta, o que não me deixa nada contente. Estou a escrever esta publicação num outro computador, até porque eu não quero acumular mais pó aqui no blogue. Posto isto, vou agora falar sobre o mês de julho, que não foi nada produtivo, e os planos para agosto.


Em relação às leituras, julho foi um péssimo mês. Só consegui finalizar um livro e o outro que comecei a ler depois dele não está a ser nada apelativo. Na realidade, para a viagem, levei um outro livro, não só para ter mais espaço na mochila, como também para não me sentir frustrada quanto à desilusão que sinto quanto a este livro.
O livro terminado é a versão original de A Cidade dos Anjos Caídos, de Cassandra Clare (opinião). Endgame- A Chave do Céu, de James Frey e Nils Johnson-Shelton, é o livro que comecei a ler no mês passado, mas não consegui terminar antes do dia da partida para Lisboa. Apesar de não estar a ser tão cativante como pensava que iria ser, pretendo acabar de o ler em breve. O livro que levei para a viagem foi uma edição que contém duas obras de Sir Arthur Conan Doyle, A Study in Scarlet e The Sign of the Four. Demorei quase os nove dias da viagem a ler A Study in Scarlet, porque não só chegava a casa cansada, como também foi uma leitura que ficou aquém das expetativas. Comecei a ler The Sign of the Four no último dia da viagem e, embora seja uma história curta, ainda não o terminei, pois estou a atualizar o estado das séries que ando a ver. Vou terminar esta leitura esta semana.






Quanto a compras literárias, comprei quatro livros em Lisboa, mas vou falar sobre eles em publicações futuras.


Relativamente ao mês de agosto, é melhor eu não planear, desde já, as leituras. Por agora, pretendo acabar de ler o segundo volume da trilogia Endgame e The Sign of the Four. Depois, talvez comece a ler O Filho Dourado, de Pierce Brown.


Espero que julho tenha sido um bom mês para vocês. Vamos lá ver como vai ser agosto.


sábado, 22 de julho de 2017

Haverá uma adaptação cinematográfica de A Todos os Rapazes que Amei

A Todos os Rapazes que Amei, de Jenny Han, é o primeiro livro de uma trilogia contemporânea que tem como personagem principal Lara Jean Song, uma jovem de 16 anos que escreve cartas de amor às suas paixões, mas não as envia, pois são um meio para ela lidar com os seus sentimentos. Contudo, um dia, as cartas são enviadas aos rapazes que ela amava e, a partir daí, a vida amorosa de Lara Jean passa a ser uma confusão.


Muitos adoram esta história por vários motivos. Um deles é a escrita leve e simples da autora. Um outro é a diversidade presente, uma vez que a personagem principal, bem como a restante família, é coreana e americana. Além disso, há muitos temas atuais retratados, como a adolescência, a sexualidade, a família, o amor, entre outros. Portanto, os fãs de Jenny Han adoraram saber que poderão ver a história ganhar vida no grande ecrã.



Edição portuguesa de To All the Boys I've Loved Before.


No passado dia 21, foi anunciado que Lana Condor será Lara Jean. A atriz ficou conhecida após a sua participação no filme X-Men: Apocalypse. John Corbett (Sex and the City, My Big Fat Greek Wedding) será o pai de Lara Jean e Janel Parrish (Pretty Little Liars) será a irmã. Noah Centino (The Fosters) será Peter Kavinsky, uma das paixões de Lara Jean.




Lana Condor como Lara Jean, Janel Parrish como Margot (a irmã mais velha), e Anna Cathcart como Kitty (a irmã mais nova). Fotografia no local das filmagens.


Susan Johnson será a realizadora do filme e Sofia Alvarez é a autora do guião. O filme já se encontra em produção, em Vancouver.



Vocês já leram este livro? O que acham da notícia?