sábado, 12 de agosto de 2017

Opinião: A Study in Scarlet e The Sign of the Four, de Sir Arthur Conan Doyle



Na edição presente na fotografia, há dois romances do autor britânico concentrados num só livro, A Study in Scarlet e The Sign of the Four. Foi durante a minha estadia em Lisboa que eu li o primeiro livro, enquanto dei início à leitura do segundo nos últimos dois dias passados na capital portuguesa. Demorei a ler o primeiro, pois chegava cansada a casa e não lia muito à noite. No entanto, há ainda uma outra razão: não gostei muito da história em si. Quanto ao segundo, finalizei a leitura já na minha própria casa e, tal como o primeiro, não me deixou maravilhada.


A Study in Scarlet inicia com o doutor John Watson à procura de um sítio barato para viver depois de ter sido ferido no Afeganistão. É ao falar com um velho amigo que Watson descobre que há um homem à procura de alguém com quem partilhar a renda de um apartamento. Contudo, não era um homem qualquer, mas sim Sherlock Holmes, um detetive que recorre ao método científico e à lógica dedutiva para resolver os crimes. Após o encontro entre os dois, Holmes é chamado para resolver um caso muito estranho: um americano tinha sido assassinado e o local do crime, uma casa abandonada, tinha sangue, mas o cadáver não apresentava nenhum ferimento. Como terá, então, morrido o americano?

Quando comecei a ler este primeiro romance sobre as aventuras de Sherlock Holmes, estava a gostar do ritmo da narração. Tendo John Watson como narrador, sabemos como o médico conheceu o detetive e conhecemos as personagens graças ao lado curioso e observador de Watson. Até à altura em que Holmes encontra o suspeito, estava a gostar da escrita e da história, mas comecei a ficar enfadada quando chegou a parte em que o suspeito explica porque cometeu os crimes (houve um outro homicídio). Foi nesse momento que passei a não gostar do livro, pois a transição da história da dupla para a história do homicida não foi nada bem executada. Por momentos, pensei que estava a ler um livro totalmente diferente, até porque não estava a reconhecer a escrita do próprio autor. Doyle não deu qualquer informação de que iria contar uma "longa" história tendo o homicida como narrador. Foi uma mudança brusca e não gostei, apesar de, depois, ter percebido que, afinal, não havia nenhum erro na minha edição e que continuava a ler A Study in Scarlet.



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Ilustração de D. H. Friston (1887).


Doyle, de facto, soube criar um crime interessante e um suspeito que é movido facilmente pelos sentimentos, sem esquecer o lado racional. Também tem uma escrita relativamente simples ou, pelo menos, não muito complexa. Todavia, fiquei com a sensação de que deveria ter havido mais conteúdo, mais desenvolvimento relativamente às personagens e ao modo como elas operam. Perdeu-se muito na fraca exploração das habilidades quer de Sherlock Holmes, quer de John Watson. Posto isto, não fiquei muito surpreendida com Sir Arthur Conan Doyle, infelizmente. Será que a seguinte história foi melhor?

Classificação: 3/5 estrelas.




The Sign of the Four, também uma história narrada por John Watson, inicia com Sherlock Holmes aborrecido por não ter um caso entusiasmante para resolver. Entretanto, aparece Mary Morstan, uma jovem mulher que pede ajuda ao detetive para encontrar o pai. Durante seis anos, Morstan recebeu pérolas e, embora soubesse que estavam relacionadas com o desaparecimento do pai, ela não sabia como. Depois desses seis anos, recebe uma carta para se encontrar com alguém que tinha informações acerca do paradeiro do senhor Morstan. Enquanto Holmes fica curioso com o novo caso, Watson dá graças por ter conhecido uma mulher tão bela e astuta como Mary Morstan e, por isso, acompanha atentamente o caso. Há desaparecimentos, homicídios e tesouros em terras indianas e só Sherlock Holmes é capaz de chegar a uma conclusão triunfante.




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Mary Morstan, John Watson e Sherlock Holmes.


Esta história foi um pouco melhor do que a primeira. Um pouco. Gostei do facto de ter mais ação, de haver mais desenvolvimento por parte das personagens e de a escrita se manter relativamente acessível. Há, ainda leves mensagens contra o racismo e a falta de consideração pelas mulheres. Ainda assim, foi uma outra história que me deixou aborrecida.


Classificação: 3.5/5 estrelas.


Concluindo, tinha expetativas quanto ao criador do detetive mais famoso do mundo. É, de facto, incrível como se pode usar a dedução e a ciência, em simultâneo, para se resolver um crime. Contudo, não são histórias muito surpreendentes. 


E já leram alguma obra de Sir Arthur Conan Doyle? Se sim, qual é a vossa opinião?






4 comentários:

  1. Já li a obra quase toda de Conan Doyle relativa a Sherlock Holmes - li até o The Hound of the Baskervilles. Acho que são bons no seu género, são levezinhos e engraçados embora sem dúvida fiquem maçudos em partes, nomeadamente na descrição dos crimes, como dizes - o livro muda realmente um pouco de tom (talvez porque o criminoso relata a sua história na primeira pessoa), no entanto não me senti incomodada por aí além. Se quiseres ver, tenho reviews no meu blog :)

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    1. Realmente, esta experiência não foi tão boa como eu estava à espera, mas pretendo ler mais histórias de Conan Doyle. Das pesquisas que já fiz na Internet, fiquei com a ideia que este autor tem histórias muito diferentes em comparação com as que eu li.
      Eu não fiquei incomodada quando li o assassino a explicar as suas razões no The Sign of the Four, mas sim quando li A Study in Scarlet. Como disse na opinião, eu penso que a transição foi mesmo mal executada. Eu, sinceramente, por momentos, pensei que a minha edição tinha um erro. Não houve grandes avisos quanto à mudança de narradores. Já no The Sign of the Four, não tive essa sensação e esse é um dos motivos por ter gostado mais desta última leitura.
      Quando puder, passo por lá, então, para ter uma melhor ideia acerca do universo de Conan Doyle :)

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    2. Já vi que passaste pelo meu blog, obrigada :) acho que há histórias muito variadas dentro de Sherlock Holmes, tais como as short stories, muito diferentes destes dois, e mesmo o Hound of the Baskervilles tem um tom mais sombrio - eu gostei mais. Acho que muito do ideário actual sobre o detective faz com que as expectativas possam elevar-se muito!

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    3. Acho que estava à espera de enredos mais complexos e achei que isso não aconteceu nestes dois livros. Mas vou, num futuro próximo, ler outras obras de Conan Doyle, sem dúvida alguma :D

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